Tela de transcrição por voz da Maia Cards do ciclo de acompanhamento de pacientes da Maia
Prévias de posts da Maia no Instagram

Maia Health - 2025

Como aumentamos a adoção mostrando menos do produto.

Os usuários não precisavam conhecer toda a plataforma para começar. Precisavam resolver um problema real, com o mínimo de esforço.

Visão geral do projeto

Industria
Health Tech SaaS
Função
Product Designer
Período
Dezembro 2024 - Abril 2025
Resultado
+67% na base de assinantes em três meses
Nova home do trial da Maia em um MacBook, com a transcrição em destaque

Contexto

A Maia é uma plataforma SaaS que ajuda profissionais de saúde a reduzir a carga administrativa da rotina clínica, reunindo prontuário eletrônico, gestão de pacientes e ferramentas de inteligência artificial em um só lugar.

Dado de contexto

Quase 2 horas por dia. É o tempo que médicos dedicam, em média, ao preenchimento de prontuários e registros clínicos fora do expediente de trabalho, em um estudo com médicos dos EUA (JAMA Internal Medicine, 2022, dados de 2019).


*O dado não se refere aos usuários da Maia.

Cenário

Aumentar a aquisição de novos usuários era uma prioridade para o negócio. Naquele momento, o processo dependia de demonstrações comerciais, mas o time de vendas relatava dificuldades para conseguir agendamentos.

Mais de 50% das demonstrações agendadas não aconteciam. Por outro lado, entre os profissionais que participavam das demonstrações da Maia, a conversão comercial relatada era superior a 80%.

Essa diferença sugeria que a plataforma tinha uma proposta de valor convincente, mas dependia de um processo comercial que dificultava o acesso de novos usuários ao produto.

>50%

das demonstrações agendadas não aconteciam (no-show).

>80%

de conversão comercial entre os profissionais que participavam das demonstrações da Maia.

Dados reportados pelo time comercial.

Profissional de saúde usando a Maia durante o atendimento

Desafio

Como fazer com que mais pessoas descobrissem e experimentassem o valor da Maia?

Discovery

A funcionalidade mais utilizada estava escondida na plataforma.

Eu acompanhava semanalmente os dados de uso da Maia no Mixpanel, analisando como os usuários utilizavam a plataforma, especialmente os mais ativos.

Nesse acompanhamento, comecei a perceber um padrão: a transcrição por IA concentrava um volume de uso muito superior ao das outras funcionalidades. Alguns profissionais acessavam a Maia repetidamente apenas para utilizá-la.

Apesar disso, a transcrição estava dentro do fluxo de prontuário. Para acessá-la, o usuário precisava passar por várias etapas, incluindo o cadastro e a seleção de um paciente, mesmo quando não tinha interesse em utilizar o prontuário.

Hipóteses de produto

01 · Primeiro contato

Acreditávamos que colocar a transcrição como primeira experiência aumentaria a proporção de novos usuários que chegavam a experimentar o valor da Maia.

02 · Acesso gratuito

Acreditávamos que permitir o uso da transcrição antes de uma demonstração comercial reduziria a barreira de entrada e aumentaria o número de profissionais experimentando a plataforma.

Análise de dados no Mixpanel: a transcrição de consultas com IA concentrava o maior volume de eventos, com uso recorrente pelos usuários mais ativos
Uso por funcionalidade no período analisado.

Decisão de design

Fazer o usuário chegar ao valor antes de conhecer o produto inteiro.

A descoberta no Mixpanel trouxe uma oportunidade: transformar a transcrição por IA na principal porta de entrada da Maia.

Até então, a aquisição dependia de demonstrações comerciais. Propus introduzir uma experiência de teste gratuito, seguindo uma abordagem de Product-Led Growth (PLG), em que novos usuários poderiam experimentar a transcrição antes de conversar com o time comercial.

A decisão de design foi reduzir as barreiras para esse primeiro uso: permitir que o usuário chegasse à transcrição sem precisar conhecer ou configurar o prontuário.

As demais funcionalidades seriam apresentadas conforme suas necessidades, em vez de competir pela atenção logo no primeiro acesso.

Layout anterior Tela anterior: nova nota dentro do prontuário
Novo layout Nova tela: transcrição como primeira ação

Redesign da experiência

De seis etapas para duas.

Antes, para iniciar uma transcrição, o usuário precisava encontrar ou cadastrar um paciente, abrir seu prontuário e criar um registro.

Esse fluxo fazia sentido para quem utilizava a Maia como prontuário, mas adicionava etapas desnecessárias para quem queria apenas transcrever uma consulta.

Redesenhei a jornada para permitir que novos usuários iniciassem uma transcrição diretamente da experiência inicial, sem precisar cadastrar ou vincular um paciente.

Depois, poderiam copiar o resultado para o sistema que já utilizavam ou associá-lo a um paciente na Maia.

Simulação ilustrativa

O custo de repetir uma tarefa várias vezes ao dia

Atendimentos por dia 8

40

etapas por dia no fluxo anterior

24

etapas a menos por dia com o novo fluxo

Hipótese: uma transcrição por atendimento. Contagem de etapas, não tempo economizado nem métrica de uso observada.

Trade-off 01

Reduzir a fricção sem abandonar a adoção do prontuário

O que abrimos mão

Menos exposição ao prontuário

Ao remover a obrigatoriedade de cadastrar um paciente, reduzimos o contato inicial com o prontuário e a oportunidade de integrá-lo à rotina do usuário.

O que ganhamos

Acesso mais rápido ao valor

Novos usuários passaram a iniciar transcrições sem configurar o prontuário, eliminando etapas que não eram necessárias para sua tarefa principal.

Como equilibramos essa decisão

A adoção do prontuário deixou de ser uma condição e passou a ser uma possibilidade.

Depois de transcrever, o usuário podia associar o resultado a um paciente na Maia. Assim, preservamos oportunidades de descoberta do prontuário sem comprometer o primeiro uso da transcrição.

Design Rationale

Antes

  1. Cadastrar paciente
  2. Usar prontuário
  3. Transcrever

Depois

Transcrever Valor imediato
Copiar resultado Continuar no sistema atual
Associar ao paciente Explorar o prontuário Maia

Solução

Uma primeira experiência construída em torno do que os usuários mais valorizavam.

Redesenhei a experiência inicial da Maia para colocar a transcrição por IA no centro da jornada. Em vez de apresentar todas as funcionalidades de uma vez, a nova interface priorizava uma tarefa: iniciar uma transcrição.

Visão geral no Figma: telas da home nova e antiga, drawer de microfone e formato, login, fluxos de transcrição e prontuário v2
Nova home do trial da Maia em um MacBook: Nova Transcrição em destaque à esquerda e Histórico de Eventos à direita

Começar pelo que importa

A nova home para usuários em período de teste dava destaque à transcrição, reduzindo a quantidade de opções e decisões necessárias no primeiro acesso.

Nova Transcrição: vincular paciente é opcional; formato, entrada de áudio e formato de texto Seleção do microfone Seleção do formato do texto: primeira consulta, retorno, consulta ditada, resumo em tópicos ou texto original

Remover dependências desnecessárias

A transcrição passou a funcionar sem exigir cadastro ou associação prévia de pacientes. O usuário podia realizar a tarefa e copiar o resultado para o prontuário que já utilizava.

Busca de pacientes para associar a transcrição, com opção de adicionar paciente
Transcrição do atendimento ainda sem paciente, com a opção Atribuir Paciente e o botão Copiar texto Transcrição do atendimento associada ao paciente Rogerio Murijo

Apresentar o restante no momento certo

Depois de transcrever, o usuário podia associar o resultado a um paciente na Maia. Dessa forma, o prontuário continuava disponível, mas deixava de ser uma condição para experimentar a transcrição.

Preservar a experiência de quem já utilizava o produto

Sem uma rodada de testes de usabilidade antes do lançamento, direcionamos a nova experiência aos usuários em período de teste.

Os assinantes existentes mantiveram a home anterior, com acesso à nova transcrição pelo menu e acompanhamento do time de contas.

Trade-off 02

Alcance do redesign vs. risco de mudança

O que limitamos

Alcance da nova experiência

Os assinantes existentes não receberiam a nova home, limitando a exposição inicial ao redesign e à jornada simplificada.

O que preservamos

Continuidade da experiência

Evitamos impor uma mudança não validada à rotina dos assinantes, enquanto novos usuários experimentavam a jornada redesenhada.

Como equilibramos a decisão

Mantivemos a home anterior, mas disponibilizamos a nova transcrição pelo menu.

Assim, os assinantes podiam acessar a funcionalidade sem precisar adotar a nova experiência inteira.

Resultados

Mais profissionais experimentando a Maia. Uma nova jornada de entrada em operação.

Nos três meses seguintes à implementação da nova experiência, acompanhamos o crescimento da base de usuários em teste e de assinantes.

168

novos usuários em trial — 12% acima da meta de 150.

11,9%

de conversão: 20 dos 168 trials se tornaram assinantes.

+67%

na base de assinantes: de 33 para 55, crescimento líquido de 22 clientes.

Esses resultados mostram a evolução da aquisição e da base de assinantes após a implementação. Como não houve um experimento controlado, não é possível atribuir todo o crescimento exclusivamente ao redesign.

Aprendizados

Nem sempre melhorar a experiência significa adicionar algo.

O maior aprendizado desse projeto foi perceber que uma funcionalidade já existente podia gerar mais valor quando deixava de depender do restante do produto.

Os dados de uso ajudaram a identificar essa oportunidade, mas foi necessário questionar uma premissa da experiência: a de que o usuário precisava começar pelo prontuário para utilizar a Maia.

Ao redesenhar a jornada, priorizamos o primeiro valor em vez da apresentação de todas as funcionalidades. Ao mesmo tempo, preservamos a experiência dos assinantes existentes para limitar os riscos da mudança.

A ausência de testes de usabilidade antes do lançamento também deixou uma limitação importante: conseguimos acompanhar os resultados de aquisição e conversão, mas não medir diretamente o quanto a nova jornada melhorou a usabilidade.

Se eu continuasse evoluindo essa experiência, o próximo passo seria observar usuários realizando a primeira transcrição, identificar dificuldades reais e medir a conclusão dessa tarefa.

O valor já estava no produto. O desafio era tornar mais fácil chegar até ele.

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